FILOSÓRFICO

sábado, outubro 28, 2006

Fait-divers

Bonita era a lua,
de prata lavrada,
girando na rua
da noite estrelada.
Cá baixo na estrada,
ladrava-lhe um cão
por tudo e por nada,
como é tradição.
Ninguém sentiu dor
no embate brutal:
nem o condutor
nem mesmo o animal,
que tempo não teve
sequer de ganir.
Prostrado na neve,
ficou a dormir.
Sofreu a menina
de trança em rabicho:
era pequenina,
gostava do bicho.
Correu, repentina…
Incauta e em desnorte,
lançou-se na estrada…
………………………….
Não, leitor ! Por sorte,
não sucedeu nada.

( Renato de Azevedo )

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