FILOSÓRFICO

segunda-feira, outubro 09, 2006

  1. AO RIO AVE

    Meu companheiro de menino e moço,
    a quem eu devo mágicos instantes:
    Recebe este postal – já que não posso
    andar contigo, como andava dantes,

    a prescrutar os peixes coleantes
    nos infantis mistérios de algum poço;
    depois – a vez primeira em alvoroço -
    a lançar-te meus braços confiantes

    e a navegar contigo, já sem medo,
    entre a grácil luxúria do arvoredo,
    ou descansando nas ridentes vargens...


    Desculpa que não vá. Custa-me ver-te,
    doente e sem doutor que te conserte,
    coçando as tuas chagas contra as margens.


    ( Renato de Azevedo )

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